terça-feira, 29 de junho de 2010

Visita de Estudo ao Centro Interpretativo de Carvalho de Calvos


No âmbito do Curso EFA, a nossa turma NS8 foi visitar o Centro Interpretativo do Carvalho de Calvos, na Povoa de Lanhoso.
A função desta visita era demonstrar em que consiste a agricultura Biológica e qual as suas vantagens para a sociedade. Esta visita foi dirigida pela Engenheira Natália, responsável pelo centro.
A Agricultura Biológica é um sistema de produção holístico, que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola, ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a actividade biológica do solo. Foram estas e muitas outras informações que nos foram transmitidas.
Também tivemos oportunidade de ver o carvalho mais antigo da Península Ibérica, com 500 anos de existência, como também imensas plantas que tinham características que desconhecíamos, mas que podem ser importantes para o nosso dia a dia, pois possuem fins medicinais, aromáticos e até culinários, como por exemplo o alecrim, caril, absinto, entre muitas outras.
Por fim tivemos oportunidade de visitar o edifício de apoio ao Centro, onde tinha muitas informações sobre a agricultura Biológica, como também sobre o Biólogo Gonçalo Sampaio, o qual contribuiu para os descobrimentos e a classificação do tão famoso carvalho. Também nos foi dado a conhecer o bar biológico do centro, em que tudo que era confeccionado naquele espaço era produto da agricultura biológica.
Gostei imenso desta visita, pois foram nos dados conhecimentos que nos deveriam ser muito úteis e essencialmente que nos servissem de exemplo, a agricultura biologia é um passo muito importante para o nosso futuro.
Clara Costa, Turma 8

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Casa da Música e as Pontes sobre o Rio Douro - impressões e emoções de uma visita de estudo

No dia 24 de Abril do corrente ano (2010), algumas turmas do Curso EFA, da Escola Secundária de Vila Verde, efectuaram uma visita de estudo à Casa da Música, situada na cidade do Porto, e um cruzeiro pelas seis pontes, no rio Douro, na mesma cidade. Integro uma das turmas e acompanhei a visita de estudo com muito entusiasmo.
Na cidade do Porto, a principal sala de concertos é a Casa da Música. O seu projecto é da autoria do arquitecto holandês, Rem Koolhas. Este monumento artístico fez parte do evento: Porto Capital Europeia da Cultura em 2001, mas a sua construção só ficou concluído no ano de 2005.
A construção deste edifício causou muita polémica. O custo previsto para a construção, excluindo o valor dos terrenos, foi de 33 milhões de euros. Acabou por custar 111, 2 milhões de euros e a sua conclusão só foi possível passados quatro anos. No mês de Julho de 1999 arrancaram os trabalhos de preparação para a construção da obra. O principal objectivo era que a Casa da Música abrisse as portas no mês de Dezembro de 2001, chegando a tempo de coincidir com o final da Capital Europeia da Cultura. Tal não foi possível, a sua inauguração efectuou-se em Abril de 2005, mas alguns trabalhos só foram formalmente terminados no mês de Maio de 2006.
Segundo a versão de alguns especialistas na área, tais como Nicolai Ouroussoff, a Casa da Música é uma das mais importantes salas de espectáculos construídas nos últimos 100 anos. Na opinião deste especialista, esta obra é comparável à sala de espectáculos de Walt Disney em Los Angeles e ao auditório da “Berlim Philharmonic”.
A Casa da Música possui, entre muitas outras salas, que podem ser adaptadas para a realização de concertos e outras actividades educacionais, dois auditórios principais. O auditório grande, possui uma capacidade para 1238 lugares, mas pode variar de acordo com a ocasião. O auditório mais pequeno é flexível e ainda não foi publicado um número fixo de lugares. No entanto, dependendo do tamanho e da localização do palco, da disposição das cadeiras, da presença e do tamanho do equipamento de som e de gravação, pode ser definida uma média de 300 lugares sentados e 650 lugares de pé.
No cimo do edifício, existe um terceiro espaço para espectáculo que foi projectado para acolher 250 lugares.
Gostei muito da visita efectuada a este monumento mas o que mais me cativou foi a sala roxa. O nome desta sala provém da sua cor que é roxa. Esta sala tem uma função muito especial e muito particular: está destinada para acolher as crianças enquanto os pais, avós ou outros adultos assistem a um espectáculo ou participam num workshop. A sala fica situada num piso superior e possui uma janela panorâmica que dá para a Sala Suggia. Através desta janela as crianças podem ver um concerto e ouvir, porque está assegurado um sistema de som. Para além da cor que lhe dá o nome, a sala tem uma constituição e uma decoração particulares. O chão é revestido por um tipo de material igual ao utilizado nos parques infantis que assegura que as crianças não se magoem. Possui um tipo de degraus que são adaptados para as crianças se sentarem e entre muitas outras brincadeiras, saltarem. O tecto desta sala está coberto por um material esponjoso que funciona como uma almofada. Abarca pequenas luzes (leds) que sugerem estrelas naquele céu roxo.
Finda a visita à Casa da Música, eis que chegou a hora do almoço. Entre petiscos e diversas “brincadeiras” entre colegas, efectuamos uma visita guiada à Baixa do Porto acompanhada de perto pelo Professor Jorge Cidade. Terminada a visita, iniciamos um cruzeiro no rio Douro passando pelas várias pontes existentes ao longo do percurso desta corrente natural de água. Foi maravilhoso este passeio pelo curso do rio, gostei imenso e mais uma vez constatei que não precisamos de deslocar-nos para o estrangeiro, para gozar férias. Portugal possui locais e paisagens de uma beleza extraordinária.
Terminada esta magnífica visita de estudo, iniciamos a viagem de regresso a Vila Verde. Tudo correu dentro da normalidade, sem stress e acidentes.
As visitas de estudo são muito importantes para enriquecer o nosso conhecimento, partilhar momentos agradáveis com os nossos colegas e com pessoas de outras regiões. São, na minha opinião, uma forma de obter alguma PAZ interior que tanta falta faz ao ser humano. Este vive numa autêntica correria que muitas vezes se assemelha a uma corrida de “Formula Um”, esquecendo-se muitas vezes das coisas belas que a vida contém.


Deolinda Alves



(formanda da Turma NS3)







domingo, 28 de fevereiro de 2010

Visita de estudo ao Visionarium


No dia 6 de Fevereiro, realizou-se uma visita de estudo dos cursos EFA, ao Visionarium, com as turmas NS1,NS2,NS6 e NS7, no âmbito do Núcleo Gerador- Saberes Fundamentais e enquadrada na actividade integradora destas turmas.
Este centro da Ciência convida os seus visitantes a participar activamente numa grande aventura científica, sendo possível realizar experiências e manipular os equipamentos expostos. Trata-se de um museu de ciência interactivo surgindo da iniciativa da Associação Empresarial de Portugal e constituindo um amplo esforço no sentido de promover a cultura científica no nosso país. Com a ajuda de tecnologias sonoras e visuais partimos à descoberta das aventuras dos Descobrimentos, assim como, embarcamos em cinco maravilhosas odisseias associadas aos domínios da Terra, da Matéria, do Universo, da Vida e da Informação.
O Visionarium lançou também uma oferta inovadora que permite a grupos escolares e ao público em geral realizar sessões experimentais semelhantes às que se fazem num laboratório de investigação científica.Como tal, foi criado o laboratorium, um espaço de experimentação no campo das ciências forenses, e que muito agradou os nossos formandos.
Com esta visita, os formandos tiveram a oportunidade de se aproximar do Mundo da Ciência , estimulando o seu gosto pela exploração científica promotora também de progresso e desenvolvimento económico.

Elisabete Vale (mediadora da turma NS2)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A arte consome-se?
























Relatório da visita de estudo à Fundação de Serralves

Hoje dia 30 de Janeiro de 2010, as turmas NS3 e NS4 do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA), acompanhadas por professoras/formadores, das áreas de competência-chave de CLC e CP, realizaram uma visita de estudo ao Museu de Serralves tendo como objectivo principal a conclusão dos temas trabalhados no núcleo gerador Gestão e Economia, no âmbito da actividade integradora, Modos de gerir cultura.
A Fundação de Serralves tem como objectivos essenciais a constituição de uma colecção representativa da arte contemporânea portuguesa e internacional, a apresentação de uma programação de exposições temporárias, colectivas e individuais, que representem um diálogo entre os contextos artísticos nacional e internacional, assim como a organização de programas pedagógicos que ampliem os públicos interessados na arte contemporânea e suscitem uma relação com a comunidade local.
A colecção do Museu Contemporâneo de Serralves é constituída por aquisições directas, obras em depósito do Estado e de coleccionadores privados, bem como doações.
O grupo-efa visitou uma exposição de fotografia contemporânea. A exposição incidia principalmente sobre formas de edição múltipla de arte através da publicação do artista do som e da fotografia. Podemos ver de perto aquilo que se faz em fotografia.
As fotografias foram vistas e valorizadas como uma linguagem estilisticamente neutra, funcional, com os seus efeitos e a sua evolução.
Na exposição também se pôde observar capas de discos produzidas por artistas, revelando o interesse mútuo que sempre ligou a arte à música popular.
Professores e alunos fizeram-se acompanhar por dois guias, um que nos orientou dentro do edifício, explicando os espaços que o compunham e esclareceu tudo sobre a exposição. O segundo explicou sobre o espaço circundante do edifício que era composto por belos jardins, que encerravam um pouco de história.
O edifício, projectado pelo arquitecto Siza Vieira, é envolvido pelo Parque de Serralves (com cerca de 3,5 hectares), onde obras de arte de vários artistas contemporâneos são, também, expostas, ao lado da flora típica da região norte de Portugal, como carvalhos, bétulas e o teixo.
Foi uma visita interessante quer em termos de aquisição de conhecimentos, quer no convívio franco entre todos os elementos participantes na visita.
Estas visitas, são bastante salutares uma vez que promovem troca de experiências, partilha de ideias, enriquecendo a bagagem cultural dos seus intervenientes.

Turma NS3.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Estado Liberal e Estado Social
(Adaptado)
Desde suas primeiras formulações, no século 18, o liberalismo é uma filosofia ou um conjunto de filosofias que defendeu a existência de um Estado laico e não-intervencionista. Laico, porque não está vinculado a nenhuma crença religiosa, nem admite interferência de qualquer Igreja nos assuntos políticos. Em contrapartida, esse Estado também não deve interferir nas crenças pessoais, fazendo prevalecer o ideal de tolerância religiosa.
Já a concepção de um Estado não-intervencionista refere-se à economia e surgiu por oposição ao controle que as monarquias absolutistas exerciam sobre o comércio durante os séculos 16 e 17, cuja expressão era o monopólio estatal típico do mercantilismo ou capitalismo comercial. Era o que acontecia com o açúcar e o ouro, por exemplo, enquanto o Brasil era colónia de Portugal.
A livre iniciativa e o lucro
O Estado não deve interferir na economia ou intervir somente o mínimo inevitável, pois o liberalismo defende a propriedade privada e constata que o funcionamento da economia se dá a partir do princípio do lucro e da livre iniciativa, o que desenvolveria o espírito empreendedor e competitivo.
As propostas liberais provocaram - juntamente com as Revoluções políticas que delas se originaram - uma separação entre negócios públicos e privados, ou seja, entre os assuntos do Estado (que deve se ocupar com a política, isto é, com as questões da esfera pública) e os da sociedade civil (que deve se ocupar das actividades particulares, principalmente as económicas).
Simultaneamente, o liberalismo advoga a criação de instituições para dar voz activa aos cidadãos nas decisões políticas. É a partir disso que ocorre o fortalecimento do Parlamento, órgão de representação por excelência das forças actuantes da sociedade e capaz de coibir os excessos do poder central. A expressão "parlamento" se origina do francês "parler", que significa falar. Designa, portanto, o local onde ocorrem conversações, discussões e deliberações.
Executivo, Legislativo e Judiciário
A concepção de uma origem parlamentar do poder significa a superação de teorias que remontam à Antigüidade, segundo a qual o poder vem de Deus ou da tradição familiar (nobreza). Ao contrário, o voto dado a um parlamentar representa o livre consentimento do cidadão à sua actuação política, isto é, o mandato popular. É o que ocorre hoje nas democracias representativas, como a brasileira, em que deputados e senadores são (ou ao menos deveriam ser) representantes do povo.
Completa o quadro de princípios básicos do liberalismo, no âmbito político, a tripartição do poder em três instâncias autónomas e equilibradas: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, conforme postulado pela primeira vez pelo escritor e filósofo francês Montesquieu. Cada uma delas tem suas atribuições específicas e - acima delas - estão as leis, das quais a maior é a Constituição de um país.
A consciência liberal é, portanto, marcada pela valorização do princípio da legalidade: ninguém - nem o governante - pode se colocar acima da lei. Com as revoluções liberais na Inglaterra e na França, produziram-se, respectivamente, a Declaração de Direitos ("Bill of Rights", 1689) e a Declaração do direitos do homem e dos cidadãos (1793), que consignavam as conquistas dessas mesmas revoluções e proclamaram a igualdade de todos os homens perante a lei.
Além disso, essas declarações estabelecem a garantia das liberdades individuais de pensamento, crença, expressão, reunião e acção, desde que não sejam prejudicados os direitos de outros cidadãos. Deriva daí a concepção tradicional de liberdade, segundo a qual "a liberdade de cada um vai até onde o permite a liberdade do outro".
Adam Smith
Trata-se de um fundamento de cunho individualista, o que é típico do pensamento liberal. No plano econômico, isso significa que a lógica do mercado é a seguinte: se cada um desenvolver bem o seu trabalho, haverá natural selecção dos melhores, que formarão as elites de cuja capacidade empreendedora resultará benefícios para o todo social. Era o que apregoava o economista escocês Adam Smith, em sua obra principal, "Uma Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações".
Pode-se questionar ou criticar esse fundamento, mas, na prática, sua capacidade de produzir riqueza tem sido patente. O problema reside mais na questão da distribuição dessa riqueza. Além disso, à medida que esses conceitos liberais foram sendo absorvidos pelas instituições dos diversos países, na Europa e nos Estados Unidos, deu-se um passo significativo em direcção à democracia, tal qual é praticada, em maior ou menor grau, no mundo contemporâneo.
Vale lembrar que dos ideais do liberalismo também se originou o conceito de cidadania que, em seus primórdios, no século 18, referia-se apenas a direitos civis: à liberdade e à segurança individual, direito de ir e vir, liberdade de crença e opinião, seu lugar institucional eram os tribunais e sua vigência dependia da aplicação progressivamente imparcial da lei.
Durante o século 19, o conjunto se avoluma com a inclusão dos direitos políticos: votar e ser votado, filiar-se a partidos políticos, organizar-se em sindicatos. Já no século 20, passam a integrar a cidadania também uma extensa variedade de direitos sociais, como a garantia de um piso salarial, condições de trabalho, seguro, assistência médica, previdência, etc.
Do iluminismo ao socialismo
Há uma via de mão dupla entre as ideias políticas e a realidade prática, de tal maneira que as ideias interferem no mundo real, transformando-o, assim como o mundo real, transformado, torna necessário que as ideias sejam permanentemente reelaboradas. Nesse sentido, as ideias liberais sofreram transformações com o passar do tempo, adaptando-se às novas realidades sociais.
O liberalismo surgiu com o desenvolvimento do mercantilismo e se aprofundou após o advento da Revolução Industrial, no século 18. Com a implantação do sistema fabril e o aumento da produção, as relações humanas se tornaram cada vez mais complexas. As cidades cresceram, desenvolveram-se as ferrovias e o navio a vapor. As máquinas intensificaram o optimismo baseado na crença do progresso e na omnipotência da tecnologia.
Os avanços tecnológicos, porém, não corresponderam a uma evolução nas relações sociais, tornando-as mais justas, ou diminuindo a distância entre o topo da pirâmide social e sua base. Na Europa do século 19, o contraste entre riqueza e pobreza era cruel, como ocorre hoje em dia nos países em desenvolvimento. Em contrapartida, a classe operária começou a se unir para reivindicar os seus direitos num processo que culminará com o desenvolvimento do socialismo
O socialismo considera que o individualismo liberal resulta na defesa de uma classe social em particular: a burguesia. De qualquer modo, para enfrentar os problemas trazidos pelos novos tempos, a teoria liberal se adaptou às novas exigências da realidade. O liberalismo tornava-se cada vez mais democrático, acentuando a necessidade de igualdade jurídica e política, bem como uma solução para as precárias condições de vida das massas oprimidas. Um dos representantes dessa tendência, o inglês John Stuart Mill, sugere co-participação dos trabalhadores na gestão e nos resultados da indústria.
O Estado do bem-estar social
Gradualmente, o liberalismo começou a admitir a tendência intervencionista do Estado, para solucionar os problemas sociais do trabalhador, como férias, saúde, aposentadoria, desemprego, etc. Diante das crises - económica, política, social - que atingiram o mundo da primeira metade do século 20, os Estados Unidos e a Inglaterra, - cujo sistema político-económico se insere no modelo mais característico do liberalismo - promoveram ajustes rigorosos na economia, desenvolvendo o que se chamou de wellfare state ou estado do bem-estar social.
Nos Estados Unidos, por exemplo, para enfrentar a depressão económica subsequente à quebra da bolsa de valores de Nova York (1929), o presidente Franklin D. Roosevelt implantou um programa conhecido como New Deal, que fez o Estado se tomar o principal agente do reactivamento econômico do país. A construção de grandes obras públicas ajudou a aumentar a taxa de emprego e foram concedidos créditos para as empresas, além de serem adoptadas inúmeras medidas assistenciais de atendimento aos trabalhadores.
Entretanto, a intervenção estatal não se perpetuou, nem o Estado pretendeu se sobrepor às empresas privadas, tornando-se o único agente econômico. De qualquer modo, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos tinham se tornado a nação mais rica do mundo, bem como a mais avançada em termos tecnológicos.
Globalização e neoliberalismo
A partir da década de 1960, o estado do bem-estar social começou a dar sinais de desgaste, em especial porque as despesas governamentais acabaram por superar a arrecadação ou receita, provocando um aumento insustentável do déficit público, da inflação e da instabilidade social.
Na década de 1980, os governos de Ronald Reagan, nos EUA, e de Margareth Thatcher, na Inglaterra, se caracterizaram por diminuir a intervenção do Estado na área social. A essa retomada das ideias liberais clássicas, de um estado mínimo e não intervencionista, chamou-se Neoliberalismo. Seu receituário não se restringiu aos países do hemisfério norte, numa época como a nossa, em que a economia é cada vez mais global.
No Brasil - onde o Estado se tornara um poderoso agente econômico entre a Era Vargas e a ditadura militar - as ideias liberais entraram na ordem do dia dos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso, com a diminuição do Estado, a partir da privatização das estatais, da venda das empresas públicas que, apesar de pertencerem ao governo, nada têm a ver com as funções do governo, como bancos e companhias telefónicas.
Não vem ao caso avaliar aqui os resultados dessa orientação "neoliberal" à política brasileira contemporânea, nem à economia - que se mantém fiel a ela, apesar do governo de Luís Inácio Lula da Silva, cujo partido sempre se proclamou simpático ao socialismo. O importante é ressaltar como a influência das ideias liberais se estendem, historicamente, desde o século 18 até os dias de hoje. A história da humanidade é ao mesmo tempo feita de transformações e permanências.
Antonio Carlos Olivieri http://educacao.uol.com.br/historia/ult1704u41.jhtm
Proposta de actividade:
1. Identifique no texto, os diferentes modelos político-económicos apresentados.

2. Explique o que entende por Estado de Bem-Estar Social ou Estado Proteccionista e Estado Liberal/Neoliberal.

3. Apresente propostas para manter em termos económicos o Estado de Bem-Estar Social num futuro a médio/longo prazo.

4. Mostre qual deve ser o a função dos impostos no orçamento de um Estado democrático.

5. Descubra como eram cobrados e os impostos na Grécia Antiga e no Império Romano e apresente as suas conclusões ao grupo-turma.

Biblioteca Lúcio Craveiro



Visita de estudo e aula aberta na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

No dia 14 de Janeiro do corrente ano, as turmas do curso “EFA” (Educação e Formação de Adultos) da Escola Secundária de Vila Verde, realizaram uma visita de estudo e assistiram a uma aula aberta sobre Bibliotecas e novas tecnologias, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva em Braga. Sou formanda numa das turmas e acompanhei a visita e a aula aberta.
A visita teve início às vinte horas e trinta minutos. Ao chegar junto da biblioteca formandos e formadores dividiram-se em dois grupos para facilitar a visita guiada às instalações desta instituição. O meu grupo iniciou a visita tendo nos sido explicado a natureza, funcionamento e utilidade da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Fiquei a saber que se trata de uma Biblioteca Pública e que abriu oficialmente as suas portas ao público no dia 21 de Dezembro de 2004. Nasceu da união de vontades da Universidade do Minho e da Câmara Municipal de Braga. Em 1990 estas duas instituições públicas manifestaram o interesse junto do Ministério da Cultura, para a integração de Braga no projecto Bibliopólis.
Este espaço foi concebido para acolher simultaneamente 600 utentes de perfis diversos e em diferentes actividades; dispõe de três salas de leitura para adultos com capacidade de 200 lugares, numa das quais se disponibilizam cabinas de leitura individual. Uma sala de leitura infanto-juvenil com 65 lugares e ainda um espaço autónomo especialmente destinado a actividades de animação infantil com 30 lugares. Possui uma sala, "a hora do conto" que complementa o espaço destinado ao público mais jovem.
Para a audição de um disco ou o visionamento de um filme, estão disponíveis, para os seus visitantes, amplos e cómodos espaços. Estes espaços foram criados e equipados com a mais moderna tecnologia e com capacidade para 30 utentes em utilização simultânea.
Nesta biblioteca poderão ser consultadas as obras publicadas em Portugal desde 1975, parte significativa em regime de livre acesso às estantes, num total de cerca de 250.000 obras. Estão também disponíveis 1.500 CDs e DVDs.
Ao dispor do utente existem ainda, 60 computadores com acesso às mais variadas fontes de informação disponíveis na Internet. Sendo este um espaço equipado com rede sem fios, o utente poderá fazer-se acompanhar do seu computador pessoal e navegar livremente na rede Internet.
A segunda parte desta actividade foi dedicada à participação na aula aberta denominada Bibliotecas e Novas Tecnologias. Esta foi dirigida pela Dr.ª Ana Margarida Dias (Escola Secundária de Vila Verde), pelo Dr. Jorge Brandão (Escola Secundária de Amares), pela Dr.ª Margarida Abranches (Escola Secundária D. Maria II) e pela Dr.ª Aida Alves (Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva). A palestra consistiu numa explicação diversificada sobre a evolução da informação até aos dias de hoje e sobre modos de obter, seleccionar/filtrar e tratar a informação obtida. Foram também referidas as formas de pesquisa através da Internet e como fazê-lo. A aula aberta foi, claramente, uma sessão esclarecedora, tendo sido de muita utilidade para a compreensão de conceitos como os de “informação", “novas tecnologias”, Bibliotecas e os seus novos desafios.
Foi a primeira visita que fiz a esta biblioteca e constatei o quanto pode ser útil um local desta dimensão e com as características que este possui. Além de ser um local propício para o estudo, recolha de informação e de trabalho intensivo, é também, um local de refúgio, onde podemos saborear um café seguido por uma óptima conversa. Ao mesmo tempo que é também um espaço que nos “convida” à leitura de um livro, de um jornal ou de uma revista.
Penso que após terminar um longo e cansativo dia de trabalho, nada nos fará melhor do que uma visita a um local aprazível e cultural como este.

Deolinda Alves (formanda da turma NS3)
DISCUSSÕES ACERCA DO AQUECIMENTO GLOBAL: UMA PROPOSTA PARA ABORDAR ESSE TEMA CONTROVERSO (adaptado)
Kátia Regina Cunha Flôr Vieira e Walter Antonio Bazzo

Nos últimos tempos, à semelhança do que acontece em outros países em diferentes pontos do nosso planeta, os cidadãos brasileiros passaram a prestar mais atenção ao aquecimento global, um fenómeno climático que vem se intensificando cada vez mais. Quase que diariamente, os meios de comunicação vêm explorando essa temática através de notícias, algumas vezes sensacionalistas, que têm provocado algumas reacções na população, principalmente medo e incerteza com relação ao futuro do planeta.
Segundo Monteiro, para a maioria das pessoas, a realidade da ciência é o que elas vêem nos meios de comunicação. No caso do aquecimento global, grande parte das informações que chegam aos alunos por diferentes meios, acaba passando a imagem de um fenómeno catastrofista e indiscutível sobre o qual se supõe que haja um consenso científico. No entanto, conforme aponta Figueiredo, esse assunto está longe de não ser controverso.
2. Breves considerações sobre o aquecimento global e suas controvérsias
O aquecimento global é um dos assuntos mais divulgados nos diferentes meios de comunicação actualmente e grande parte das informações que chegam aos alunos por meio da média, acaba passando a imagem de um fenómeno catastrofista e indiscutível. Na verdade, conforme nos indica Figueiredo, esta questão tem gerado polémicas e discussões e ainda há muito que ser esclarecido e analisado.
Mudanças climáticas estão a ocorrer em nosso planeta e esse é um fato sobre o qual não há discussão. Evidências indicam que a temperatura da Terra realmente está aumentando. Porém, essa questão suscita diferentes propostas de abordagem e solução (Figueiredo, 2006). As controvérsias sobre as possíveis causas e efeitos do fenómeno conhecido como aquecimento global ainda são pouco divulgadas, mas não podem ser ignoradas e precisam chegar à sala de aula. Afinal esse é um tema actual e polémico e que diz respeito ao nosso futuro enquanto cidadãos.
O aquecimento global pode ser definido como o aumento da temperatura média do nosso planeta. A principal evidência desse fenómeno vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo terrestre desde 1860. Durante o século XX os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000.
Outras evidências do aquecimento global são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens e outros eventos relacionados ao clima.
As previsões sobre a intensidade do aquecimento global bem como sobre suas causas e consequências, envolvem questões complexas sobre as quais a própria comunidade científica ainda não chegou a um consenso. Segundo Epstein, essa complexidade envolve questões de ordem científica (causas e possíveis consequências das mudanças climáticas), económica (custos dos prejuízos e custos da prevenção dessas mudanças) políticas (pressões de lobbies interessados e consequências eleitorais das medidas económicas propostas), éticas (deve a geração actual pagar a conta do aquecimento global para evitar suas consequências desastrosas para as gerações futuras?).
Para analisar a problemática do aquecimento global, várias conferências internacionais já aconteceram e outros eventos continuam sendo programados. Como exemplos podemos mencionar o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), encontro realizado a cada cinco anos para analisar e discutir a elevação da temperatura do nosso planeta e o Protocolo de Quioto, acordo entre governantes de vários países com o objectivo de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, especialmente o CO2, proposto em 1997 e ratificado em 2005.
Grande parte da comunidade científica defende que uma proporção significativa do aquecimento global observado é causada pela emissão de gases causadores do efeito estufa emitidos pela actividade humana. Essa conclusão depende da exactidão dos modelos climáticos usados e da estimativa correcta dos factores externos. Os críticos dizem que há falhas nos modelos e que factores externos não levados em consideração poderiam alterar as conclusões acima. Assim, as controvérsias sobre as causas do aquecimento global podem ser resumidas em duas hipóteses:

Hipótese 1 - O aquecimento global é real e causado pela actividade humana.
(queima de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás, queima das florestas tropicais, etc.). Por isso, os governos devem tomar medidas urgentes para salvar o mundo da catástrofe.

Predomina no meio científico a ideia de que o aquecimento global se deve em grande parte a factores antropogénicos, ou seja, factores relacionados à influência humana na exacerbação do efeito estufa. Essa exacerbação pode ser explicada da seguinte forma: a Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria reflectida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global. Nos últimos tempos, grandes quantidades de gases responsáveis pelo efeito estufa têm sido emitidas para a atmosfera. A maior parte desses gases é produzida pela queima de combustíveis fósseis. Actualmente, tem-se discutido que o aquecimento global do planeta pode estar sendo causado por um aumento dos gases chamados "de estufa", principalmente o CO2, que bloqueiam a irradiação do calor de volta, da Terra, para o espaço. Não podemos esquecer que o efeito estufa é um fenómeno natural, essencial à vida no nosso planeta. O que tem sido discutido é sua exacerbação.

Hipótese 2 - O aquecimento global é real, mas não se tem certeza sobre as suas causas. Pode se tratar de actividade solar e parte de um ciclo de aquecimento e esfriamento das temperaturas na Terra. Nesse caso, não há nada que os governos possam fazer a respeito.

Milhares de anos podem passar até que a Terra esquente ou esfrie apenas um grau. E isso, de facto, acontece de forma natural. Além dos recorrentes ciclos de eras glaciais, o clima da Terra pode se modificar por causa da actividade vulcânica, das diferenças na vida vegetal que cobre a maior parte do planeta, das mudanças na quantidade de radiação que o sol emite e das mudanças naturais na química da atmosfera. O principal factor externo natural apontado pelos críticos é a variabilidade da radiação solar. Eles afirmam que o Sol pode ter uma parcela maior de responsabilidade no aquecimento global actualmente observado do que o aceito pela maioria da comunidade científica. Alguns efeitos solares indirectos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos climáticos existentes. Assim, a parte do aquecimento global causado pela acção humana poderia ser menor do que se pensa actualmente.

Proposta de actividade:
1. Considerando as duas hipóteses do texto sobre as causas do aquecimento global, sugerimos as seguintes questões:
a) O aquecimento global é realidade ou mito?
b) Quais as verdadeiras causas desse fenómeno?
A partir destas questões:
-A turma formará dois grupos de trabalho que assumirão posicionamentos antagónicos durante um debate sobre este tema:

Grupo 1: adeptos da primeira hipótese defendendo que o aquecimento global é causado pela actividade humana.

Grupo 2: defensores da segunda hipótese sustentando que não é possível afirmar com certeza quais as causas do aquecimento global.

2. Sugerimos que vejam os filmes Verdade Inconveniente de AL Gore e o Dia Seguinte (The Day After), comparando depois os tipos de abordagem feita nos dois filmes sobre o aquecimento global. Elabore uma reflexão crítica sobre o tipo de abordagem e suas diferenças.